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Consumo da amêndoa de baru e seu efeito na saúde de mulheres com excesso de peso

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Nutrição da UFG visa conhecer os benefícios do consumo da amêndoa de baru para a saúde humana, especialmente para pessoas com excesso de peso.

A nutricionista Rávila Graziany M. de Souza **, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde, orientanda do professor doutor João Felipe Mota e co-orientanda da professora doutora Maria Margareth Veloso Naves, desenvolve, desde o início de 2012 a pesquisa intitulada “Efeito do consumo da amêndoa de baru sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e estado inflamatório de mulheres com excesso de peso”. Em entrevista, a mestranda explica detalhes sobre seu projeto, bem como a possível contribuição da pesquisa para a saúde das mulheres com excesso de peso.

De que trata sua pesquisa?

Rávila: Trata-se de um ensaio clínico, ou seja, uma investigação que avalia a eficácia de novos tratamentos e intervenções em saúde. Esta pesquisa tem como objetivo avaliar o efeito do consumo da amêndoa de baru sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e estado inflamatório de mulheres com excesso de peso.

O que já foi descoberto sobre o assunto?

Rávila: O fruto do Baru (Dipteryx alata Vog.), árvore típica do Cerrado brasileiro, produz uma semente comestível que tem despertado interesse científico pela sua composição nutricional. Com relação ao perfil de ácidos graxos, a amêndoa do Baru é rica em ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados e apresenta proporção de ácidos graxos ômega 6 (ω-6) e ômega 3 (ω-3) próxima à recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Sabe-se que a composição em ácidos graxos monoinsaturados e poliinsaturados, e a proporção de ácidos graxos ω-6/ω-3 são importantes por terem o potencial de reduzir os fatores de risco para as doenças cardiovasculares, à medida que favorecem a redução das lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e de muita baixa densidade (VLDL). O efeito antioxidante da amêndoa do baru foi observado em ratos suplementados com ferro para indução do estresse oxidativo. Em outro estudo com ratos Wistar alimentados com dieta hiperlipídica, a intervenção com amêndoa de baru resultou na redução da peroxidação lipídica e melhora significativa do perfil lipídico sérico dos animais. Entretanto, os efeitos do consumo da amêndoa do baru em humanos ainda não foram explorados.
    
Em que aspecto sua pesquisa poderá contribuir para o conhecimento científico?

Rávila: Já é bastante consolidada na literatura a relação causal entre a obesidade e comorbidades crônicas como a hipertensão arterial, dislipidemias, resistência à insulina, diabetes, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Nesse contexto, a melhora do padrão alimentar é uma das medidas preventivas e terapêuticas mais importantes. Atualmente, tem sido discutido que as mudanças alimentares referem-se não apenas à ingestão balanceada de energia. Estudos têm demonstrado que alguns nutrientes e compostos bioativos podem atuar no controle da obesidade, e, consequentemente, no manejo das comorbidades associadas. Considerando a composição nutricional dessa amêndoa e os resultados promissores obtidos em animais, é importante investigar o efeito do consumo da amêndoa de baru sobre o perfil lipídico, estresse oxidativo e estado inflamatório em indivíduos com excesso de peso.

Qual a possível contribuição de sua pesquisa para a vida das pessoas (sociedade)?

Rávila: A incidência de obesidade no mundo aumentou significativamente durante as últimas décadas e já é considerada uma epidemia global. No Brasil, a região centro-oeste apresenta a maior prevalência de mulheres com excesso de peso, atingindo 45,1% desta população. Além disso, as doenças do aparelho circulatório são as principais causas de morte no Brasil (31,25%), e apresentaram taxa de mortalidade específica igual a 50,3/100.000 habitantes, figurando como um problema de Saúde Pública. A realidade brasileira acompanha a realidade encontrada em países desenvolvidos como os EUA, onde dados mostram que as doenças cardiovasculares são a maior causa de morte no país (35,3%), tendo, em 2009, custado ao país 475,3 bilhões de dólares com gastos diretos e indiretos. Como os efeitos do consumo da amêndoa do baru em humanos ainda não foram explorados e considerando a composição nutricional dessa amêndoa, especialmente do seu conteúdo em ácidos graxos, é muito importante conhecer os benefícios do seu consumo para a saúde humana, com a hipótese de que possa melhorar o perfil lipídico e reduzir o estresse oxidativo e o estado inflamatório de pessoas com excesso de peso.

Como sua pesquisa pode contribuir para o desenvolvimento de novos produtos/serviços? Que tipo de produtos/serviços podem ser aperfeiçoados ou criados a partir de sua pesquisa?

Rávila: A divulgação dos resultados possivelmente promoverá maior adesão ao consumo da amêndoa de baru, valorizando assim os alimentos nativos do Cerrado brasileiro. Esse conhecimento contribuirá, assim, para o desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade do Cerrado.



**Mestranda em Nutrição e Saúde pela Universidade Federal de Goiás – bolsista CAPES; Especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior (2010); Especialista em Nutrição Clínica e Esportiva (2011); Graduada em Nutrição pela Universidade Federal de Goiás (2008).  Atuante em grupos de pesquisa científica. Atuou como docente do Curso de Nutrição e Farmácia - Faculdade Anhanguera - Anápolis, GO e como Nutricionista da Unidade de Saúde Dr. Ilion Fleury Jr (Osego) – Anápolis, GO. Busca cada vez mais o aperfeiçoamento profissional para efetivar as ações no âmbito de saúde e nutrição, com ênfase nas áreas de Nutrição Clínica e Esportiva.