Avaliação do perfil de ácidos graxos séricos, lipidograma e o consumo de alimentos, de acordo com o grau de processamento, de mulheres com obesidade severa

Autor(a): Karem Lays Soares Lopes

Orientador(a): Flavia Campos Corgosinho

Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação

Data da Defesa: 30/08/2021

Resumo:

Introdução: A obesidade é uma doença crônica de origem multifatorial considerada um importante fator de risco para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares. Na gênese da obesidade, o balanço energético positivo crônico tem papel de primordial. O alto consumo de alimentos processados e ultraprocessados dos últimos anos pode estar relacionado com o aumento da obesidade e de distúrbios que envolvam o metabolismo, transporte e armazenamento de ácidos graxos. Objetivos: Avaliar o consumo de alimentos segundo o grau de processamento e suas relações com o perfil de ácidos graxos séricos e o lipidograma de mulheres com obesidade severa. Metodologia: trata- se de um estudo transversal analítico descritivo realizado com mulheres diagnosticadas com obesidade grau 3. A coleta de dados foi composta de avaliação antropométrica, aplicação de Questionário de Frequência Alimentar, coleta de sangue para realização de lipidograma e dosagem de ácidos graxos séricos. Os alimentos consumidos foram identificados por meio do QFA e classificados quanto ao grau de processamento, segundo a NOVA, e as frequências de consumo foram transformadas em escores. Os dados foram analisados no programa IBM SPSS Statistics, versão 21. O nível de significância das análises foi fixado em 5%. Resultados: Este estudo incluiu 44 mulheres, com idade média de 40,59 anos e índice de massa corporal médio de 48,61 kg/m 2. Foi observado uma associação inversa entre o consumo de alimentos in natura com a ocorrência de hipertrigliceridemia (p = 0,021) enquanto o consumo de processados foi associado de maneira positiva (p = 0,044). Foi encontrada correlação negativa entre “escore de consumo médio de alimentos ultraprocessados” e “HDL” plasmático (p=0,035). Foram identificados 22 ácidos graxos séricos (40, 72% de ácidos graxos saturados, 36,05% de ácidos graxos poliinsaturados e 23,22% de ácidos graxos monoinsaturados). Em relação ao lipidograma, houve associação inversa entre o consumo de alimentos in natura e as variáveis “triglicérides” (p = 0,048), “colesterol total” (p = 0,031) e “VLDL-c” (p = 0,040), e uma associação positiva do consumo de ultraprocessados com o “colesterol total” (p = 0,041). O consumo de processados foi associado inversamente à quantidade total de ômega 3 (p = 0,011). O consumo de ultraprocessados se associou negativamente com a “razão ômega 3/6” (p = 0,001), enquanto o consumo de processados apresentou associação direta com a “razão ômega 6/3” dos ácidos graxos séricos (p = 0,001); Conclusão: Os dados do presente estudo sugerem que o consumo desproporcional entre os diferentes graus de processamento de alimentos pode favorecer o desequilíbrio dos ácidos graxos plasmáticos e do lipidograma, favorecendo a inflamação e aumentando o risco cardiovascular em mulheres com obesidade severa.

Palavras-chave: Obesidade severa; Alimentos ultraprocessados; Alimentos processados; Alimentos in natura; Ácidos graxos séricos; Perfil lipídico.