Diagnóstico da organização, gestão e cuidado nutricional ofertado às pessoas com sobrepeso e obesidade na perspectiva dos profissionais de saúde da atenção primária à saúde na cidade de Goiânia-GO
Autor(a): Karine Alves Mariani
Orientador(a): Maria do Rosário Gondim Peixoto
Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação
Data da Defesa: 04/04/2022
Resumo:
Introdução: A obesidade é um problema de saúde pública, e a junção das pandemias, de obesidade, desnutrição e mudanças climáticas, representam a Sindemia Global, que afeta a maioria das pessoas em todos os países e regiões do mundo. A Sindemia Global é a junção de três pandemias que interagem umas com as outras, compartilham determinantes e, portanto, exercem uma influência mútua em sua carga para a sociedade. Apesar do sobrepeso/obesidade ser um dos mais importantes problemas de saúde pública, não há estudos de avaliação da organização do cuidado nutricional na atenção primária à saúde em Goiânia-GO. Objetivo: Avaliar o diagnóstico da organização, gestão e cuidado nutricional para o enfrentamento do sobrepeso/obesidade (S/O) na atenção primária à saúde em Goiânia-GO. Material e Métodos: Estudo de delineamento transversal que foi realizado nos sete distritos sanitários de Goiânia-GO, Brasil. Os dados foram coletados por meio de um questionário, semiestruturado e autoaplicável. Foram avaliadas as ações de diagnóstico do território, organização e coordenação do cuidado, estratégias de tratamento do S/O, capacitação profissional e estrutura das unidades de saúde. Resultados: Participaram do estudo 54 profissionais, 88,9% era enfermeiros, sendo a maioria mulheres (98,1%). Ao analisar a infraestrutura e mobiliário, apenas 11,1% relataram cadeiras e bancos adequados, 33,3% acessibilidade e 18,5 barras de segurança. Sobre os equipamentos 55,6% referiram aparelhos de pressão com manguito especial e 24% cadeira de rodas disponíveis nas US. A análise revelou que 31,5% realizaram diagnóstico dos usuários/território no âmbito da atenção nutricional, enquanto o mapeamento do território foi de 66,7%. Na perspectiva dos profissionais, a central de regulação (79,6%), referência e contra- referência (77,6%) e estratificação de risco de gravidade para S/O (62,9%) foram as principais estratégias para organização do cuidado; e para organização do tratamento foram o cuidado nutricional (75,9%) e tratamento cirúrgico (64,8%). As atividades em grupo foram referidas por apenas 7,4% dos profissionais. Algumas das principais ações previstas pela vigilância alimentar e nutricional foram realizadas pela maioria dos profissionais (92,6%). No entanto, os dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional foram pouco utilizados para tomada de decisão (26,9%). Apenas 16,9% dos profissionais e/ou sua equipe passaram por ações de educação permanente envolvendo a promoção da alimentação adequada e saudável e a prevenção, diagnóstico e tratamento do S/O. Quanto ao relato dos profissionais das unidades de saúde da região urbana central e periférica apresentaram diferença significativa. Conclusões: O cuidado ao indivíduo com S/O vem sendo realizado por meio do esforço contínuo dos profissionais de saúde, no entanto merece maior atenção aos modelos de assistência preconizados pelo MS, principalmente como o monitoramento dos dados e indicadores, além do manejo coletivo da obesidade.
Palavras-chave: Saúde pública; Sobrepeso; Obesidade; Atenção primária à saúde; Política de saúde