Diagnóstico de COVID-19 entre gestantes e puérperas e aleitamento materno exclusivo

Autor(a): Millena Nazare de Carli

Orientador(a): Ana Amelia Freitas Vilela

Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação

Data da Defesa: 01/03/2023

Resumo:

Introdução: As gestantes e puérperas foram incluídas como grupo de risco para COVID-19 devido às alterações fisiológicas esperadas no período gestacional e consequentemente a amamentação foi prejudicada, no início do período pandêmico, pois existiam poucas evidências sobre a segurança da amamentação neste período e se havia possibilidade de transmissão vertical. Objetivo: Avaliar a associação de mulheres com e sem diagnóstico de COVID-19 e o aleitamento materno exclusivo no primeiro mês de vida do bebê. Metodologia: O estudo é do tipo transversal aninhado a uma coorte, realizado em Unidades Básicas de Saúde de seis regiões de Goiânia-Goiás. Mulheres gestantes com idade gestacional ≥ 35 semanas, 20 a 40 anos, saudáveis, fetos saudáveis e a termo foram elegíveis para participar do estudo. Os dados foram coletados via telefônica, em três momentos: a partir da 35ª semana de gestação, de 7 a 15 dias de pós-parto e no primeiro mês de vida do bebê. A variável de exposição foi o diagnóstico de COVID-19 em qualquer momento do acompanhamento e o desfecho o aleitamento materno exclusivo (AME), avaliado no terceiro seguimento. Como covariáveis foram inseridas as variáveis de dados demográficos (idade, renda, escolaridade, álcool e sono), desejo materno de engravidar e sintomatologia de COVID-19. Na análise estatística foram utilizados testes de normalidade, teste T de Student, teste de Qui-quadrado e regressão logística para avaliar a associação de diagnóstico de COVID-19 e AME. Resultados: Foram incluídas no estudo, 110 mulheres na gestação, 69 no puerpério imediato e 63 no primeiro mês de vida do bebê, com idade média de 28,52 (1,56) anos. Quanto aos dados de COVID-19, 33 participantes foram infectadas no decorrer da coleta de dados (29,20%), com destaque para infecção no período gestacional (66,67%; n = 22). De acordo com as análises estatísticas, mulheres que tiveram COVID-19 e estavam amamentando seus bebês exclusivamente, tiveram maior relato de perda de peso (p-valor 0,034). Não foi observado associação entre contaminação por COVID-19 e o AME, entretanto houve uma tendência a associação de que mulheres infectadas não amamentam exclusivamente seus bebês (OR=5,39; p-valor 0,089). Conclusão: No grupo de mulheres avaliadas no presente estudo não houve associação entre o diagnóstico de COVID-19 e AME, mas verificou-se uma tendência das mulheres contaminadas não AME seus filhos.

Palavras-chave: Gravidez; Período pós-parto; Amamentação; COVID-19