Avaliação da perda de massa muscular e agravamento da fragilidade em pacientes críticos
Autor(a): Ana Clara Rosa de Oliveira
Orientador(a): Nara Aline Costa
Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação
Data da Defesa: 27/02/2023
Resumo:
A perda de massa muscular pode influenciar diretamente no desenvolvimento de complicações clínicas entre pacientes internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ademais, aproximadamente 70% dos pacientes em estado crítico já se encontram em algum nível de fragilidade no momento de admissão hospitalar. Objetivos: Avaliar a perda de massa muscular e o agravamento da fragilidade ao longo da internação na UTI, bem como a associação destas condições com a mortalidade hospitalar em pacientes críticos. Métodos: Trata-se de estudo clínico prospectivo observacional. Foram incluídos pacientes de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos e com tempo de internação de até 72h na UTI. No momento da inclusão do participante no estudo (M0), foram coletados dados demográficos, clínicos e bioquímicos, além da avaliação do músculo reto femoral (MRF) pelo ultrassom e a fragilidade por meio da escala Clinical Frailty Scale (CFS). Para os sobreviventes, a MRF e a fragilidade foram reavaliadas em até 72h após alta da UTI (M1). Os pacientes foram acompanhados durante a internação hospitalar e registrados o tempo de internação e mortalidade hospitalar. Resultados: Foram incluídos 50 pacientes, 52% foram do sexo masculino e com média de idade de 60,3 + 17,9 anos. O tempo de internação na UTI foi de 7 dias (5 - 14) e hospitalar foi de 16 (12 – 28) dias. A taxa de mortalidade hospitalar foi de 47%. No M0, 42% dos pacientes foram considerados com fragilidade e 12% com pré-fragilidade. No M1, 18 pacientes foram reavaliados e foi observado agravamento da condição (68,4% dos pacientes com fragilidade e 31,6% com pré-fragilidade). No M0, a média da espessura do MRF foi de 28,28 + 6,87 mm e no M1, de 21,90 + 5,23 mm; com ∆ MRF de 5,27 + 7,37 mm. A presença de fragilidade e a espessura do MRF no momento da admissão na UTI não tiveram associação com a mortalidade. Entretanto, a maior ∆ MRF foi associada a mortalidade hospitalar (14,28 + 8,71mm vs 2,69 + 4,64; p: 0,002). Conclusão: Neste estudo, os pacientes críticos tiveram redução considerável da espessura do MRF e agravamento da fragilidade em torno de 26% durante o período de internação na UTI. A maior perda da massa muscular esteve associada a mortalidade hospitalar, porém, o mesmo não ocorreu para a fragilidade.
Palavras-chave: Massa muscular; Fragilidade; Mortalidade; UTI.