O papel de PAI-1 no risco cardiometabólico em mulheres com obesidade severa
Autor(a): Fabiana Martins Kattah
Orientador(a): Flavia Campos Corgosinho
Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação
Data da Defesa: 24/02/2023
Resumo:
Introdução: A obesidade é uma doença crônica inflamatória que aumenta o risco de doenças cardiovasculares (DCV). A alta mortalidade relacionada às DCV revela a necessidade de triagem precoce na atenção primária. O inibidor do ativador de plasminogênio 1 (PAI-1) é uma citocina que está associada com essas duas condições, entretanto, não é frequentemente avaliada na prática clínica em razão do custo elevado. Desse modo, é importante buscar ferramentas fáceis que se correlacionem com as concentrações dessa citocina. Objetivo: Identificar a correlação entre as concentrações de PAI-1 com marcadores de risco cardiometabólico em mulheres com obesidade severa, buscando avaliar preditores de PAI-1. Métodos: Estudo transversal realizado em um hospital de Goiânia, aprovado pelo comitê de Ética da Universidade Federal de Goiás (parecer 3.251.178) e do Hospital (961/19). Foram selecionadas 47 mulheres com obesidade severa (OS) (IMC > 40kg/m2) e idade entre 20 e 59 anos. Foram coletados dados antropométricos (peso, estatura, circunferência de pescoço (CP), cintura (CC) e quadril (CQ)) e amostras de sangue para análise do perfil metabólico, inflamatório e hepático (perfil glicídico, lipídico, proteína c-reativa (PCR), enzimas hepáticas). PAI-1 e adiponectina foram dosados por ELISA. As pacientes foram agrupadas com base na concentração mediana de PAI-1. A comparação entre os grupos foi feita pelo teste t para amostras independentes e as correlações foram feitas usando Pearson/Spearman. Foi assumido valor de p<0,05. Resultados: Foi observado que o grupo com maiores concentrações de PAI-1 apresentou aumento de Homeostatic Model Assessment of Insulin Resistance (HOMA-IR) (p=0,037) e Homeostasis Model Assessment- Adiponectin (HOMA-AD) (p=0,046) e diminuição de Quantitative Insulin Sensitivity Check Index (QUICKI) (p=0,020) e da lipoproteína de alta densidade (HDL) (p=0,042). Nesse mesmo grupo foram observadas correlações entre o índice aterogênico do plasma e alanina aminotransferase, e de PAI-1 com PCR. Além disso, HOMA-IR se mostrou preditor de PAI-1 na amostra total. Conclusão: Mulheres com OS e altas concentrações de PAI-1 apresentam pior perfil glicídico e lipídico e maior risco cardiometabólico. O HOMA-IR mostrou ser um bom preditor de PAI-1, apontando a importância de avaliar parâmetros glicêmicos para a prevenção de DCV na OS.
Palavras-chave: Obesidade grau III; Doenças cardiovasculares; SERPINE-1