Impacto das transições dos estados de fragilidade física nos desfechos de saúde em pacientes com Doença Renal Crônica: estudo prospectivo longitudinal
Autor(a): Samara Vieira de Oliveira
Orientador(a): Nara Aline Costa
Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação
Data da Defesa: 16/12/2024
Resumo:
A fragilidade é um processo dinâmico e com reversibilidade questionada no meio científico. Compreender seu comportamento, causas e consequências para a saúde pode colaborar para a implementação de intervenções que visem a prevenção de desfechos negativos antes de atingir um ponto sem retorno. O objetivo deste trabalho foi avaliar a transição entre os estados de fragilidade e a sua associação com o desenvolvimento de desfechos de saúde em pacientes com doença renal crônica (DRC). Este estudo prospectivo e longitudinal incluiu indivíduos com DRC nos estágios 3b a 5, em tratamento não dialítico, com idade ≥ 18 e de ambos os sexos. Foram coletados dados clínicos, demográficos e laboratoriais. A fragilidade foi avaliada pelo fenótipo da fragilidade física. Indivíduos com ≥ 3 pontos foram considerados como frágeis, 1 a 2 pontos como pré-frágeis e 0 pontos como robusto. A transição da fragilidade foi definida a partir da comparação do diagnóstico obtido pela escala nos dois momentos de coleta (basal e 12 meses após). Os indivíduos foram divididos em três grupos: melhora da condição, estabilidade ou declínio. Foram considerados como desfechos a necessidade de hospitalização não eletiva, entrada em diálise e óbito. Foram incluídos 95 pacientes, com mediana de idade de 65 (57-71) anos, sendo 50,3% do sexo feminino. No M0, 24 (25,2%) dos pacientes viviam com fragilidade, 60 (63,2%) com pré-fragilidade e 11 (11,6%) robustos. Durante o seguimento, 18 (18,9%) dos pacientes necessitaram de internação, 3 (3,2%) iniciaram diálise e 2 (2,1%) evoluíram para óbito. Durante o período de seguimento, 53 (55,8%) participantes tiveram manutenção do estado da fragilidade, destacando-se a condição de pré fragilidade, 20 (21,1%) tiveram declínio da sua condição e 22 (23,1%) tiveram melhora do estado de fragilidade. A transição da fragilidade não se associou com a hospitalização (p= 0,825), entrada em diálise (p= 0,791) e mortalidade (p= 0,459). Em conclusão, a transição entre os estados de fragilidade atingiu quase metade dos pacientes com DRC, sugerindo que a condição é instável mesmo em curto período de tempo. Por outro lado, não houve associação entre a transição da fragilidade e os desfechos em saúde avaliados.
Palavras-chave: Fragilidade física; Doença renal crônica; Transição; Desfechos