Consumo alimentar de gestantes: associação do grau de processamento dos alimentos com o peso ao nascer
Autor(a): Linda Priscila Barbosa de Jesus
Orientador(a): Karine Anusca Martins
Tipo de Trabalho de Conclusão: dissertação
Data da Defesa: 18/11/2024
Resumo:
Introdução: O estado nutricional, bem como o consumo alimentar da gestante, desempenham papel crucial no desenvolvimento fetal e na saúde materna, além de influenciarem diretamente o peso do bebê ao nascer. A qualidade da dieta consumida se relaciona diretamente com a classificação do grau de processamento dos alimentos, segundo a NOVA. Objetivo: Avaliar a associação entre o consumo alimentar gestacional, segundo a NOVA e o peso do bebê ao nascer. Métodos: Trata-se de um estudo transversal aninhado a uma coorte com gestantes, no último trimestre gestacional, da Atenção Primária de Saúde de Goiânia-Goiás. As entrevistas ocorreram por meio de aplicação de questionário via telefône. O consumo alimentar foi investigado por meio de um Questionário de Frequência Alimentar. O peso ao nascer do bebê foi referido pela mãe. Foi realizada regressão linear múltipla para avaliar a associação entre as variáveis, com p<0,05. Resultados: Foram avaliadas 107 mulheres, a maioria (71,96%; n=77) com idade entre 20 e 30 anos, pardas (66,36%; n=71), com ensino médio completo ou superior incompleto (70,09%; n=75) e com companheiro (81,31%; n=87). A distribuição da renda apresentou-se com maior percentual (34,29%; n=36) entre as familias que recebiam entre 150,00 – 1500,00 mensais. A maioria relatou o não consumo de álcool (82,24%; n=88), não tabagismo (96,26%; n=103) e sedentarismo (79,07%; n=68). A análise mostrou ainda que a maioria das mulheres apresentou IMC adequado (44,86%; n=48) e ganho de peso adequado (44,44%; n=44) durante a gestação. A maioria dos partos ocorreu antes de 40 semanas gestacionais (58,88%; n=63). O consumo alimentar em percentual de alimentos in natura ou minimamente processados esteve positivamente associado ao peso ao nascer (β= 8,96; p = 0,010), e manteve associação positiva após ajuste para idade gestacional (β= 8,41; p = 0,015). Os ingredientes culinários não demonstraram associação significativa (β= -4,86; p = 0,575). Alimentos processados mostraram uma associação negativa (β= -27,60; p = 0,020) e se manteve após ajuste para idade gestacional (β= -24,99; p = 0,035), já para os alimentos ultraprocessados não foi observada associação com o peso do bebê (β= - 6,42; p = 0,083). Conclusão: Houve associação positiva entre o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e o peso dos bebês ao nascer, em contrapartida o consumo de alimentos processados e ultraprocessados apresentaram relação negativa.
Palavras-chave: Gravidez; Nutrição; Consumo alimentar; Desenvolvimento fetal; Peso ao nascer; Complicações