Associação da razão neutrófilo-linfócito e da proteína C-reativa com a força muscular: dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) – 1999-2002
Autor(a): Patrícia Cristina Barreto Lobo
Orientador(a): Gustavo Duarte Pimentel
Tipo de Trabalho de Conclusão: tese
Data da Defesa: 27/02/2023
Resumo:
A diminuição da força muscular começa na vida adulta por alterações fisiológicas decorrentes da idade, podendo ser intensificada com a inflamação presente no envelhecimento. A dosagem de marcadores inflamatórios como interleucina-6, proteína C-reativa (PCR) e o fator de necrose tumoral α, têm sido utilizados para monitorizar a perda da força muscular. Nesse sentido, é questionado se a razão neutrófilo-linfócito (RNL), que é um marcador inflamatório de baixo custo e fácil acesso, também estaria associada com a força muscular. Assim, considerando as informações disponíveis no inquérito populacional National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), o objetivo deste trabalho foi avaliar a associação da RNL e da PCR com a força muscular em 2387 indivíduos, amostra representativa da população Americana adulta de meia-idade e idosa. Trata-se de um estudo transversal, que incluiu indivíduos com mais de 50 anos participantes do NHANES (1999-2002) conforme os critérios de elegibilidade para o teste de força muscular (velocidade média de 60o por segundo e concluir pelo menos quatro tentativas). Os critérios de exclusão foram a ausência de valores de força muscular (pico máximo de força), variáveis antropométricas (peso corporal e estatura), avaliação dietética e dosagem bioquímica de neutrófilo, linfócito e PCR. Também foram excluídos os participantes que não se adequavam aos critérios plausíveis do teste de força, realizado pelo Kinetic Communicator isokinetic dynamometer. A RNL foi obtida pela divisão da contagem total de neutrófilos por linfócitos e a PCR pelo método de nefelometria de látex. As variáveis foram divididas em tercis de RNL e de PCR, seguida de análise de regressão linear (modelo bruto e ajustado para os fatores de confusão), para estimar os coeficientes e intervalos de confiança de 95% para o pico máximo de força. Foi considerado o p de tendência para associação entre as variáveis, o peso amostral do NHANES para seleção dos indivíduos e a significância de 5% (p<0,05). Como resultados, não encontramos associação entre RNL e a pico máximo de força para ambos os sexos, mas houve associação inversa entre PCR e força em homens [2o tercil β = -3,3 (-15,9; 9,2); 3o tercil β = -24,7 (-41,2; -8,2), p = 0,005]. Concluímos então, que os níveis de RNL não foram associados à força muscular em ambos os sexos, mas houve associação negativa entre PCR e força muscular em homens mais velhos, sugerindo que a associação pode ser sexo específica.
Palavras-chave: Envelhecimento; Idoso; Força muscular; Proteína C-reativa; Neutrófilos; Linfócitos